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sexta-feira, 20 de março de 2009

CRISE FINANCEIRA O complexo de vira-lata

Por Luciano Martins Costa em 17/3/2009

Comentário para o programa radiofônico do OI, 17/3/2009

A imprensa internacional, e, a reboque, também os jornais brasileiros, começa a observar que a crise global, iniciada nos Estados Unidos, concentra os maiores riscos na Europa. Da mesma forma, análises ainda fragmentadas indicam que o caminho para a saída deverá começar pela periferia do sistema mundial de comércio.

Os chamados países emergentes, entre os quais se destaca o Brasil, se consolidam cada vez mais como a principal esperança de interrupção das turbulências e retomada da normalidade. Enquanto, no Brasil, as autoridades e o setor privado comemoram a interrupção da curva de crescimento do desemprego, a União Européia registra o maior recuo do nível de emprego desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Os indicadores europeus só não são trágicos porque a Alemanha, que representa a maior economia da região, sofreu um impacto menor e ainda registra uma leve taxa de crescimento do mercado de trabalho.

Protagonista de peso

Paralelamente ao noticiário sobre as dificuldades econômicas, a imprensa vem registrando sinais de aumento da intolerância racial, campanhas de caráter xenofóbico e sintomas de pânico social. Além disso, a Europa conseguiu integrar suas economias mas suas instituições políticas ainda são uma Torre de Babel.

Depois das primeiras medidas de socorro aos bancos, a Europa parece paralisada. Falta uma liderança.

A condição dos países emergentes, como principal ponto de apoio para a recuperação da economia global, pode ser resumida na realidade de algumas multinacionais de origem ibérica instaladas na América Latina. Mergulhadas em dificuldades em suas sedes principais, essas empresas só se mantêm à tona graças aos resultados obtidos principalmente no Brasil.

A situação econômica dos Estados Unidos é tão ou mais grave do que a européia, mas os americanos têm agora uma liderança. O encontro entre os presidentes Lula da Silva e Barack Obama, sobre o qual a imprensa ainda hoje ressalta a empatia revelada, tem o sentido de marcar o ponto de onde vão sair as decisões para a superação da crise.

Apesar do complexo de vira-lata que ainda parece conter nossa imprensa, o Brasil agora é protagonista importante na cena mundial. E não apenas no futebol.