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Você é meu convidado

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Voce gosta de animais, ou não?

Veja o video de como são tratados os animais para a industria da moda, não é diferente o tratamento para com os animais que nos alimentam diariamente com suas carnes nos supermercados e açougues.



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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Em 9/9/9, Beatles entram para o século XXI

Data marca lançamento do videogame 'The Beatles: Rock band'.
No mesmo dia, catálogo de álbuns do grupo sai remasterizado.

Como baixar o preço da Gasolina????

NÃO CUSTA NADA, ENTÃO, VAMOS TENTAR DESSA FORMA FAZER ALGUMA COISA.
GASOLINA (GNV, DIESEL e ÁLCOOL) Como poderemos baixar os preços???

NÃO DEIXE DE LER ...
Voce lembra do Criança Esperança?

A UNICEF e a Rede Globo abriram as pernas... Foi a força da Internet contra uma FÁBRICA DE DINHEIRO que DESCOBRIU-SE nunca chegar a quem de direito.
Então continue a ler

Não deixe de participar, mesmo que vc HOJE não precise abastecer seu carro com gasolina!!
Mesmo que voce não tenha carro, saiba que em quase tudo que voce consome, compra ou utiliza no seu dia-a-dia, tem o preço dos transportes, fretes e distribuição embutidos no preço de custo e consequentemente repassados a voce.


Voce sabia que no Paraguai (que não tem nenhum poço de petróleo) a gasolina custa R$ 1,45 o litro e sem adição de álcool na Argentina, Chile e Uruguai que juntos (somados os 3) produzem menos de 1/5 da produção brasileira, o preço da gasolina gira em torno de R$ 1,70 o litro e sem adição de álcool QUAL É A MÁGICA ??

Voce sabia, que já desde o ano de 2007 e conforme anunciado aos "quatro ventos" pelo LULA e sua Ministra DILMA... o Brasil já é AUTO-SUFICIENTE em petróleo e possui a TERCEIRA maior reserva de petróleo do MUNDO Realmente, só tem uma explicação para pagarmos R$ 2,50 o litro, aGANÂNCIA do Governo com seus impostos e a busca desenfreada dos lucros exorbitantes da nossa querida e estimada estatal brasileira que refina o petróleo por ela mesma explorado nas "terras "Tupiniquins" CHEGA !!! Se trabalharmos juntos poderemos fazer alguma coisa.

Ou vamos esperar a gasolina chegar aos R$ 3,00 o litro?

Mas, se você quiser que os preços da gasolina baixem, será preciso promover alguma ação lícita, inteligente, ousada e emergencial.

Unindo todos em favor de um BEM COMUM !!!

Existia uma campanha que foi iniciada em São Paulo e Belo Horizonte que nunca fez sentido e não tinha como dar certo.

A campanha: "NÃO COMPRE GASOLINA" em um certo dia da semana previamente combinado, que foi popular em abril ou maio passado.

Nos USA e Canadá a mesma campanha havia sido implementada e sugerida pelo próprios governos de alguns estados aos seus consumidores, mas as Companhias de Petróleo se mataram de rir porque sabiam que os consumidores não continuariam "prejudicando a si mesmos", ao se recusarem a comprar gasolina. Além do que, se voce não compra gasolina hoje... vai comprar MAIS amanhã. Era mais uma inconveniência ao próprio consumidor, que um problema para os vendedores.

MAS houve um economista brasileiro, muito criativo e com muita experiencia em "relações de comércio e leis de mercado", que pensou nesta idéia relatada abaixo e propôs um
plano que realmente funciona. Nós precisamos de uma ação enérgica e agressiva para ensinar às produtoras de petróleo e derivados que são os COMPRADORES que, por serem milhões e maioria, controlam e ditam as regras do mercado, e não os VENDEDORES que são "meia-dúzia".

Com o preço da gasolina subindo mais a cada dia, nós, os consumidores, precisamos entrar rapidamente em ação!!

O único modo de chegarmos a ver o preço da gasolina diminuir é atingindo quem produz, na parte mais sensível do corpo humano: o BOLSO.

Será não comprando a gasolina deles!!!
MAS COMO ??!!

Considerando que todos nós dependemos de nossos carros, e não podemos deixar de comprar gasolina, gnv, diesel ou álcool.
Mas nós podemos promover um impacto tão forte a ponto dos preços dos combustíveis CAIREM, se todos juntos agirmos para FORÇAR UMA GUERRA DE PREÇOS ENTRE ELES MESMOS.

É assim que o mercado age!!!
Isso é Lei de Mercado e Concorrência

Aqui está a idéia:

Para os próximo meses (AGOSTO, SETEMBRO E OUTUBRO.) não compre gasolina da principal fornecedora brasileira de derivados de petróleo, que é a PETROBRÁS (Postos BR).

Se ela tiver totalmente paralisada a venda de sua gasolina, estará inclinada e obrigada, por via de única opção que terá, a reduzir os preços de seus próprios produtos, para recuperar o seu mercado.

Se ela fizer isso, as outras companhias (Shell, Esso, Ipiranga, Texaco, etc...) terão que seguir o mesmo rumo, para não sucumbirem economicamente e perderem suas fatias de mercado.

Isso é absolutamente certo e já vimos várias vezes isso acontecer!
CHAMA-SE LEI DA OFERTA E DA PROCURA

Mas, para haver um grande impacto, nós precisamos alcançar milhões de consumidores da Petrobrás. É realmente simples de se fazer!!
Continue abastecendo e consumindo normalmente! !
Basta escolher qualquer outro posto ao invés de um BR (Petrobrás).

Porque a BR?
Por tratar-se da maior companhia distribuidora hoje no Brasil e consequentemente com maior poder sobre o mercado e os preços praticados.

Mas não vá recuar agora...
Leia mais e veja como é simples alcançar milhões de pessoas!!

Essa mensagem foi enviada a aproximadamente trinta pessoas.

Se cada um de nós enviarmos a mesma mensagem para, pelo menos, dez pessoas a mais (30 x 10 = 300)
e se cada um desses 300 enviar para pelo menos mais dez pessoas, (300 x 10 = 3.000),
e assim por diante, até que a mensagem alcance os necessários MILHÕES de consumidores!
É UMA "PROGRESSÃO GEOMÉTRICA"

QUE EVOLUI RAPIDAMENTE E QUE VOCE CERTAMENTE JÁ CONHECE !!

Quanto tempo
levaria a campanha?
Se cada um de nós repassarmos este e-mail para mais 10 pessoas.
A estimativa matemática (se voce repassá-la ainda hoje) é que dentro de 08 a 15 dias, teremos atingido, todos os presumíveis 30 MILHÕES* de consumidores da Petrobrás (BR), (fonte da ANP - Agencia Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis)

Isto seria um impacto violento e de consequências invariavelmente conhecidas.. . A BAIXA DOS PREÇOS

Agindo juntos, poderemos fazer a diferença.
Se isto fizer sentido para você, por favor, repasse esta mensagem, mesmo ficando inerte.


PARTICIPE DESTA CAMPANHA DE CIDADANIA ATÉ QUE ELES BAIXEM SEUS PREÇOS E OS MANTENHAM EM PATAMARES RAZOÁVEIS!

ISTO REALMENTE FUNCIONA.
VOCÊ SABE QUE ELES AMAM OS LUCROS SEM SE PREOCUPAREM COM MAIS NADA!
O BRASIL CONTA COM VOCÊ!!!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A verdadeira história do pré-sal

Por Joildo Santos

Diretor da Aepet responde com fatos, dados e datas, as distorções que têm sido publicadas sobre a grande descoberta da Petrobrás, realizada apesar da ANP e dos ataques de Fernando Henrique. A referência inicial é ao texto de Adriano Pires, publicado pelo Jornal O Estado de São Paulo em 08/06

João Victor Martins

O autor, como é próprio dos lobistas de plantão, procura induzir o leitor a acreditar que a descoberta de petróleo do pré-sal, surgiu em decorrência da promulgação da Lei 9.478/97, no governo do ex-presidente FHC, a qual “flexibilizou” o monopólio estatal e criou a ANP (Agência Nacional do Petróleo). Ele divide a história do pré-sal em duas fases: antes e depois desta Lei.

Ele mostra completo desconhecimento de causa, pois logo no primeiro parágrafo de seu texto incorre em dois erros graves: dizer que “a primeira fase foi iniciada quando o monopólio foi concedido à Petrobrás” e que a Lei 2.004 data de 1952.

Dois erros graves para quem se diz conhecedor da história do pré-sal, pois a Lei 2.004 que data de 03 de outubro de 1953, criou o monopólio estatal (ME) e incumbiu a Petrobrás de executá-lo. Portanto o monopólio pertenceu à União e não à Petrobrás. Esta foi simplesmente a executora, e como tal, o fez brilhantemente.

Monopólio Estatal de 1953 a 1997 – 44 anos

A Petrobrás só foi instalada em 9 de maio de 1954, quando já existia produção de petróleo na Bacia do Recôncavo (provinda do Campo de Candeias, descoberto em 1941 pelo CNP – Conselho Nacional do Petróleo – e, posteriormente dos campos de Aratu, Itaparica e D. João). Todos os campos do Recôncavo, por ironia do destino, já produziam em reservatórios da chamada fase rifte, sendo que esse óleo foi gerado em camadas lacustrinas próprias desta fase, situados abaixo da discordância pré-aptiana regional.

Como exemplo, nas bacias costeiras, Margem Leste, citamos o maior campo de petróleo até hoje descoberto em terra no Brasil, o Campo de Carmópolis, em Sergipe, o qual produz de reservatórios situados na seção do pré-sal. Ele foi descoberto em 1963, portanto durante a vigência do monopólio estatal. Recentemente, informação não oficial, dá conta que no aprofundamento de um poço deste campo, foi detectada a 700 metros de profundidade, a presença de microbiolitos, reservatório característico do pré-sal, presente na Bacia de Santos, em todos os poços perfurados no “cluster”, núcleo central da nova província.

O petróleo que ocorre nas bacias cretáceas costeiras da Margem Leste, tanto na parte emersa como na imersa, na seção pré-sal ou na pós-sal, tem gerador do Tipo I, i.e. são rochas depositadas em ambiente lacustrino, o que vem a indicar sua origem continental, portanto abaixo da espessa camada de sal que se formou durante a separação dos continentes africano e sul-americano.

Pode-se dizer que no Brasil não temos gerador(es) do Tipo II, i.e. de origem marinha. Apenas alguns traços deste tipo de gerador foram detectados nos campos de Cangoá e Peroá, na Bacia do Espírito Santo.

Assim, pode-se inferir facilmente o caminhar da exploração mar adentro, na perspectiva de se encontrar campos cada vez mais promissores. Já se sabia que o gerador era bem mais profundo. A Petrobrás, através do seu corpo técnico, sempre demonstrou estar alerta para isso.

Durante mais de 30 anos, desde a descoberta do Campo de Garoupa, em 1974, na Bacia de Campos, em lâmina d‘água de -100 metros, a Petrobrás buscou essa província do pré-sal. Um importante fator que concorreu para a demora na descoberta do pré-sal, está condicionado à evolução da sísmica de reflexão e, principalmente, das dificuldades tecnológicas advindas da perfuração tanto em lâminas d‘água ultra-profundas como em função da espessa camada salífera a ser atravessada. Para exemplificar, o Campo de Roncador, na Bacia de Campos, cujo poço pioneiro situava-se em lâmina d‘água de -1.854 m, só veio a ser perfurado em 1996.

Flexibilização

O anúncio feito pelo governo FHC, em 1995, de que iria “flexibilizar” o monopólio estatal e criar a agência reguladora, levou o corpo técnico da Petrobrás a trabalhar intensamente na seleção das melhores áreas durante os dois anos seguintes, na premissa de requerer as melhores áreas para exploração, direta ou em parceria, com outras empresas. A ANP foi instalada em 19 de janeiro de 1998.

A Lei 9.478 de 6 de agosto de 1997, determinou que a Petrobrás deveria submeter à ANP seu programa de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, o qual foi entregue ao Ministério de Minas e Energia (MME) em 15 de outubro de 1997 na forma de 391 relatórios, sendo 133 para áreas de exploração, 52 para áreas em desenvolvimento e 206 relativos a áreas em produção.

As 133 áreas (ou blocos) de exploração requisitadas pela Petrobrás estavam distribuídas em 21 das 29 bacias sedimentares terrestres e marítimas brasileiras e consistiam, entre outros, na perfuração de 246 poços em prospectos já definidos pela sísmica. A Lei 9.478 estipulou o prazo de um ano para que a ANP avaliasse esse programa e outorgasse contratos de concessão para as áreas em que a empresa tivesse satisfeito os requisitos legais.

Na Bacia de Santos, a Petrobrás requisitou 8 blocos, sendo que no Bloco BS-300, para exploração direta, já havia um prospecto definido na sua parte sudoeste, que visava testar um proeminente alto estrutural, com mais de 1.000 km2 de fechamento estrutural, interpretado como seção rifte (pré-sal). Ressalte-se que, nesta época (1997), a equipe técnica da Petrobrás já vislumbrava o alto potencial exploratório da área, inclusive a análise econômica do prospecto indicava a possibilidade de se encontrar expressivos volumes de hidrocarbonetos. A perfuração permitiria também obter informações sobre a(s) rocha(s) geradora(s) ainda não amostradas na bacia.

A exploração do Bloco BS-300 era uma proposta ousada, tanto em termos de lâmina d‘água (mais de 2.000 m) como pela oportunidade de se conhecer convenientemente a seção rifte da bacia, após atravessar quase 2.000 m de seção evaporítica. Era uma nova fronteira exploratória e um grande desafio tecnológico.

A análise técnico – econômica do Bloco ANP BS-300, que possibilitou as referências acima descritas, foi entregue ao MME em 15 de outubro de 1997, constituindo o processo No. 48000.003575/97, portanto antes da criação da ANP.

Na chamada “Rodada Zero” da ANP, consolidada em agosto de 1998, ficou definida a participação da Petrobrás no novo cenário criado após a promulgação da Lei 9.478/97. A partir dos relatórios de análise dos blocos feitos pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), com a participação de consultores contratados, foram assinados os Contratos de Concessão entre a ANP e a Petrobrás, sobre 115 blocos dos 133 originalmente requeridos. A área da Bacia de Santos que ficou posteriormente conhecida como “cluster”, abrangia o Bloco BS-300 e não fora incluída na “Rodada Zero” pela ANP, desconhecendo-se as razões para justificar esse procedimento. Já na 2ª Rodada de Licitações, no ano 2000, no entanto, a ANP oferecia em leilão os blocos BM-S-7, 8, 9, 10 e 11, sendo que, com exceção do BM-S-7, os demais constituíam o antigo Bloco BS-300.

Conhecimento

Conhecedora do potencial da área, a Petrobrás, em parceria com outras empresas, arrematou todos os blocos oferecidos naquela licitação, sendo que apenas no Bloco BM-S-7 a Petrobrás não era a operadora. No Bloco BM-S-10 se situava a locação que a empresa havia proposto quando requereu o antigo Bloco BS-300, em 1997. Portanto, antes da criação da ANP. A perfuração desta locação redundou na descoberta do pré-sal, no prospecto que foi denominada Paraty.

A Petrobrás levou cinco anos estudando a tecnologia necessária para essa descoberta, ocorrida em 2006. A perfuração durou um ano, ao custo total de US$ 260 milhões. Que outra companhia teria a coragem de efetuar tal proeza? Se não aquela que tinha conhecimento de causa? E sabia o que queria?
Alguém ainda acha que foi a criação da ANP que resultou na descoberta do pré-sal? E os outros 245 prospectos requeridos pela Petrobrás? Que fim levaram?

Só se for o FHC, que teve a petulância de escrever um artigo no dia 7 de setembro de 2008, publicado no Jornal O Globo, outorgando a si este mérito, com a criação por ele, da ANP. Esqueceu de dizer no artigo, de seus compromissos assumidos com o Diálogo Interamericano, em diversas reuniões que compareceu desde 1982 e na última em março deste ano, na qualidade de Diretor. Estes compromissos com o “Diálogo”, que usava o FMI – Fundo Monetário Internacional – como executor, o levaram a quebrar o Monopólio Estatal do Petróleo, vender 36% das ações da Petrobrás na Bolsa de Nova York por menos de 10% do seu valor real e tentar desnacionalizar a empresa, visando a sua privatização.

João Victor Martins é diretor da AEPET. Este texto foi publicado no Correio da Cidadania (24/06/09).

O império das bases militares

Por Joildo Santos

Ao abordar as 865 bases americanas instaladas em vários países, ou mais de mil se incluídas as do Iraque e Afeganistão, o professor Hugh Gusterson questiona a sua finalidade, denuncia a agressão e as atrocidades cometidas contra as populações locais, e os bilhões de dólares para mantê-las, num momento em que a Casa Branca, afogada no vermelho, precisa desesperadamente cortar gastos. “Apesar dos políticos e especialistas dos meios de comunicação parecerem esquecidos dessas bases, tratando o posicionamento de tropas americanas espalhadas pelo mundo inteiro como se fosse um fato natural, o império americano de bases está atraindo cada vez mais a atenção de acadêmicos e ativistas”, diz

HUGH GUSTERSON*

Antes de ler este artigo, tente responder: quantas bases os Estados Unidos têm em outros países? a) 100; b) 300; c) 700; ou d) 1.000.

De acordo com a própria lista do Pentágono, a resposta é 865, mas, se incluirmos as novas bases no Iraque e no Afeganistão, são mais de mil. Essas mil bases constituem 95% de todas as bases militares que todos os países do mundo mantêm em território de outro país. Em outras palavras, os Estados Unidos estão para as bases militares assim como a Heinz está para o ketchup.

Antigamente, o colonialismo praticado pelos europeus consistia em conquistar países inteiros e administrá-los. Mas isso era deselegante. Os Estados Unidos foram os pioneiros numa abordagem mais requintada para um império global. Conforme diz o historiador Chalmers Johnson, “a versão americana da colônia é a base militar”. Os Estados Unidos, diz Johnson, têm um “império de bases”.

“Este ‘império de bases’ dá aos Estados Unidos um alcance global, mas o modelo deste império, na medida em que cercam a Europa, é uma relíquia alargada e anacrônica da Guerra-fria“.

Essas bases não saem baratas. Excluindo as bases americanas no Afeganistão e no Iraque, os Estados Unidos gastam cerca de 102 bilhões de dólares por ano para manter as suas bases de além-mar, segundo Miriam Pemberton, do Instituto de Estudos Políticos. E em muitos casos é preciso perguntar qual é a sua finalidade. Por exemplo, os Estados Unidos têm 227 bases na Alemanha. Talvez isso fizesse sentido durante a Guerra-fria, quando a Alemanha estava dividida ao meio pela cortina de ferro e os políticos americanos tentavam convencer os soviéticos de que o povo americano veria em um ataque à Europa um ataque a si próprio. Mas numa nova era em que a Alemanha foi reunificada e os Estados Unidos se preocupam com pontos de conflito incendiários na Ásia, na África e no Oriente Médio, faz tanto sentido que o Pentágono mantenha 227 bases militares na Alemanha como os correios manterem uma frota de cavalos e diligências.

Afogada no vermelho, a Casa Branca precisa desesperadamente cortar despesas desnecessárias no orçamento federal, e Barney Frank, deputado democrata de Massachusetts, propôs que o orçamento do Pentágono fosse reduzido em 25%. Quer se ache ou não o número de Frank politicamente realista, as bases militares são certamente um alvo lucrativo para o machado do corte orçamental. Em 2004, Donald Rumsfeld calculou que os Estados Unidos podiam poupar 12 bilhões de dólares se fechassem umas 200 bases no estrangeiro. Isso também teria um custo político relativamente baixo, visto que os locais que se podem ter tornado economicamente dependentes das bases são estrangeiros e não podem retaliar em eleições americanas.

Mas essas bases estrangeiras parecem invisíveis quando os cortadores do orçamento olham de esguelha para o orçamento proposto pelo Pentágono, de 664 bilhões de dólares. Reparem no editorial de 1º de março do The New York Times, “O Pentágono enfrenta o mundo real”. Os editorialistas do Times pediram “coragem política” à Casa Branca para cortar no orçamento da defesa. Sugestões? Cortar o caça F-22 da força aérea e o destróier DDG-1000 da marinha, reduzir os mísseis defensivos e o Sistema de Combate Futuro do exército, para poupar 10 bilhões de dólares por ano. Todas, boas sugestões – mas e as bases no estrangeiro?

Apesar dos políticos e especialistas dos meios de comunicação parecerem esquecidos dessas bases, tratando o posicionamento de tropas americanas espalhadas pelo mundo inteiro como se fosse um fato natural, o império americano de bases está atraindo cada vez mais a atenção de acadêmicos e ativistas – como demonstrado por uma conferência sobre as bases estrangeiras americanas na Universidade Americana no passado mês de fevereiro. A NYU Press [editora da Universidade de Nova Iorque] acaba de publicar Bases of Empire, de Catherine Lutz, um livro que reúne acadêmicos que estudam as bases militares americanas e ativistas contra essas bases. A Rutgers University Press publicou Military Power and Popular Protest, de Kate McCaffrey, um estudo sobre as bases americanas em Vieques, Porto Rico, que foram fechadas perante os protestos maciços da população local. E a Princeton University Press publicará Island of Shame: The Secret History of the U.S. Military Base on Diego Garcia, de David Vine – um livro que conta a história de como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha acordaram secretamente deportar os habitantes da ilha de Diego Garcia, no arquipélago de Chagos, para as Maurícias e para as Seychelles, para que a sua ilha pudesse ser transformada numa base militar. Os americanos foram tão cuidadosos que até mataram com gás todos os cães dos chagossianos. Os chagossianos não foram autorizados a apresentar o seu caso nos tribunais dos Estados Unidos, mas ganharam o processo contra o governo britânico em três julgamentos, tendo a sentença derrubada pelo supremo tribunal do país, a Câmara dos Lordes. No momento, apelam para o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Os dirigentes americanos dizem que as bases no exterior cimentam as alianças com nações estrangeiras, sobretudo através do comércio e de acordos de ajuda que acompanham frequentemente o arrendamento das bases. Mas os soldados americanos vivem numa espécie de simulacro da América nas suas bases, vêem a TV americana, ouvem o rap e o heavy metal americanos e comem a fast food americana, a fim de que os rapazes do campo e os meninos da cidade, para ali transplantados, tenham pouca exposição a outro modo de vida. Entretanto, do outro lado da cerca de arame farpado, os residentes e comerciantes locais ficam muitas vezes dependentes dos soldados e defendem que eles ali se mantenham.

Essas bases podem tornar-se pontos de irrupção de conflitos. As bases militares normalmente descarregam lixo tóxico nos ecossistemas locais, como em Guam, onde as bases militares levaram a nada menos que 19 pontos extremamente poluídos. Essa contaminação gera ressentimento e por vezes movimentos sociais extremamente explosivos contra as bases, como aconteceu em Vieques nos anos 90. Os Estados Unidos utilizaram Vieques para exercícios de bombardeio real durante 180 dias por ano, e, em 2003, na época em que os Estados Unidos se retiraram, a paisagem estava atulhada de granadas detonadas e por detonar, esferas de urânio depletado, metais pesados, petróleo, lubrificantes, solventes e ácidos. Segundo ativistas locais, a taxa de câncer em Vieques era 30% mais alta do que no resto de Porto Rico.

Também é inevitável que, de tempos a tempos, os soldados americanos – muitas vezes embriagados – cometam crimes. O ressentimento que esses crimes provocam ainda é mais exacerbado pela freqüente insistência do governo americano de que esses crimes não sejam julgados nos tribunais locais. Em 2002, dois soldados americanos mataram duas adolescentes na Coréia quando iam a uma festa de aniversário. Os veteranos da Coréia afirmam que esse foi um dos 52.000 crimes praticados por soldados americanos na Coréia entre 1967 e 2002. Os dois soldados americanos foram imediatamente repatriados para os Estados Unidos a fim de fugirem ao julgamento na Coréia. Em 1998, um piloto dos marines cortou os cabos de um teleférico na Itália, matando 20 pessoas, mas os oficiais americanos recusaram-se a permitir que as autoridades italianas o julgassem. Esses e outros incidentes semelhantes prejudicam as relações dos EUA com importantes aliados.

Os ataques de 11/Set são, sem dúvida, o exemplo mais espetacular do tipo de ricochete que pode gerar-se a partir do ressentimento local contra as bases americanas. Nos anos 90, a presença de bases militares americanas junto dos lugares sagrados do Islã, na Arábia Saudita, encolerizou Osama Bin Laden e proporcionou à Al Qaeda uma poderosa ferramenta de recrutamento. Os Estados Unidos, sensatamente, fecharam as suas maiores bases na Arábia Saudita, mas abriram outras bases no Iraque e no Afeganistão que estão se tornando rapidamente novas fontes de atrito na relação entre os Estados Unidos e os povos do Oriente Médio.

Muitas dessas bases são um luxo que os Estados Unidos já não podem aguentar numa época de déficits orçamentais recordes. Além disso, as bases americanas no estrangeiro têm uma dupla face: projetam o poder americano por todo o globo, mas também incendeiam as relações externas dos EUA, gerando ressentimentos contra a prostituição, os danos ambientais, os pequenos crimes, e o etnocentrismo cotidiano que são a sua consequência inevitável. Esses ressentimentos forçaram recentemente o fechamento de bases americanas no Equador, em Porto Rico e no Quirguistão, e se o passado é apenas um prólogo, podemos esperar no futuro mais movimentos contra as bases americanas. Acredito que, dentro dos próximos 50 anos, assistiremos ao aparecimento de uma nova norma internacional segundo a qual as bases militares estrangeiras serão tão indefensáveis como a ocupação colonial de um outro país passou a ser nos últimos 50 anos.

A Declaração da Independência [dos EUA] critica os britânicos “por posicionar grandes corpos de tropas armadas entre nós” e “por protegê-los, através de julgamentos fantoches, da punição por quaisquer crimes que cometam contra os habitantes destes Estados”. Belas palavras! Os Estados Unidos deviam começar por levá-las a sério.

* Hugh Gusterson é professor de antropologia e sociologia na George Mason University. É especialista em cultura nuclear, segurança internacional e antropologia da ciência. Acompanhou um considerável trabalho de campo nos Estados Unidos e na Rússia, onde estudou a cultura de cientistas de armas nucleares e de ativistas anti-nucleares. Dois dos seus livros encerram este trabalho: Nuclear Rites: A Weapons Laboratory at the End of the Cold War (University of California Press, 1996) e People of the Bomb: Portraits of America’s Nuclear Complex (University of Minnesota Press, 2004). Também foi co-autor de Why America’s Top Pundits Are Wrong: Anthropologists Talk Back (University of California Press, 2005); tem em preparação uma sequência, The Insecure American. Anteriormente foi professor no Programa sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade, do MIT.